10 de maio de 2016

Alimentação de prova em 3 partes, Parte 2: durante a prova


Na sequência do artigo anterior, sobre o Peneda-Gerês Trail Adventure, eis que surge uma boa altura para escrever sobre a alimentação que faço durante as provas.

Para começar, tudo depende da distância e do tempo previsto de prova. Normalmente, costumo separar os eventos entre aqueles que duram menos de 3 horas e mais de 3 horas. Nas primeiras, o normal é ter pelo menos um abastecimento, no qual como frutas como laranja, melancia e melão, os quais complemento com uma barrita e alguns frutos secos, sensivelmente a cada hora de prova.

Abastecimento no Peneda-Gerês Trail Adventure
Para as mais longas, aplico o mesmo princípio, mas a ingestão tem que ser mais completa, pelo que a cada 3 horas, uso uma barrita proteica, que ajuda a regenerar os músculos, e uso os postos de abastecimento como referência para a ingestão de diversos tipos de alimentos complementares, quando os existem, desde pão (escuro), marmelada, chocolate (negro), frutos secos, normalmente amendoins ou manteiga de amendoim, passas e nozes, tomate com sal, além das frutas já referidas, e outras coisas que não fazem parte do meu dia-a-dia mas que trazem alguma energia rápida, como batatas fritas e bebidas isotónicas. A banana também costuma existir nos abastecimentos mas as minhas primeiras experiências no trail com esta fruta não foram boas e acabei por estabelecer uma relação entre as cãibras e a sua ingestão. Ainda que pareça estranho, a verdade é que aconteceu várias vezes e o que penso é que tenha a ver com uma questão digestiva. Um destes dias volto a fazer a experiência, para ver se essa relação se mantém ou se é apenas um factor psicológico.

Em provas acima dos 50km existe, muitas vezes, um abastecimento maior, com sopa e outros alimentos quentes. Se for um creme de legumes, como uma tigela, e isso ajuda a confortar o estômago. 

De qualquer forma, aquilo que tento seguir cinge-se a ingerir cerca de 50-60g de hidratos de carbono, com uma parte de absorção rápida e outra lenta, a cada hora, mantendo o estômago ocupado mas sem o encher demasiado. Comer muito obriga o sangue a fluir para o sistema digestivo e isso pode ser causa de cãibras e cansaço. Entre as barritas e os frutos secos que andam comigo e o restante que como nos abastecimentos, posso dizer que nunca tive fome nem qualquer tipo de problema digestivo nas provas.

Além dos alimentos, é especialmente importante manter a hidratação. Para esse fim, levo sempre comigo uma garrafa com água e outra com pastilhas de electrólitos, que auxiliam na reposição de sais. Em provas em que existam bebidas quentes, normalmente bebo um chá ou, mais raramente, café.

Tudo isto requer alguma adaptação para que o organismo se regule para este tipo de ingestão contínua, em esforço, e os treinos médios e longos (entre 3h a 8h) são essenciais na preparação. Criar rotinas e perceber o que o corpo exige de nós leva o seu tempo mas os benefícios no dia da prova podem fazer a diferença entre passar bem ou sofrer desnecessariamente.

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